sábado, 26 de setembro de 2009

CAMA-DE-GATO...Grampola no poder...

Grampola era uma moça, aparentemente, simples e gentil que fora convidada a estagiar numa empresa que passava por situação difícil.

A instituição estava desorganizada, os funcionários insatisfeitos com a desvalorização profissional e o salário não era compensador.


Apesar da falta de estímulos, os trabalhadores conheciam perfeitamente seus deveres, e cada um se esforçava para a obtenção de algum sucesso. O chefe, no entanto, parecia pouco entusiasmado, não fazia mais tanta questão de pôr ordem naquele setor.


A alegre Grampola começou humildemente em sua função modesta, ajudava um, aconselhava outro e trabalhava com afinco. O chefe do setor, observando então, a espontaneidade da moça, achou por bem, contratar definitivamente os seus serviços.


Grampola recebeu a incubência de mais algumas funções, inclusive auxiliar seus colegas.


O tempo foi passando e, junto com ele, passava também a delicadeza e o altruísmo da ex-estagiária.


A moça logo começou a contar para o chefe tudo, e mais um pouco, do que acontecia na empresa. Na maioria das vezes, "floreava" os acontecimentos para dar mais ênfase à sua grande "competência" em observar o erro dos outros.


O chefe parecia satisfeito, mas, no fundo, pensava que o que a nova funcionária fazia, era algo antiético e temporário, afinal de contas, o que é mesquinho pode até ser útil momentaneamente, mas com o tempo, torna-se repetitivo e sem graça.


Grampola pensava que estava sendo muito eficiente em tomar conta dos afazeres dos outros. Na verdade, estava se sentindo o braço direito do chefe. Olhava seus colegas de trabalho com superioridade, dava ordens de maneira áspera, anotava os erros e, ao final do dia, "prestava contas" ao seu superior.


A situação estava ficando chata, porque a moça já estava ficando conhecida como "a perigosa da empresa", a "X9", e os outros funcionários não tinham mais aquela amizade do início, aquela cumplicidade pela menina sem escrúpulos, e conversavam entre si: "Como alguém que entrou há tão pouco tempo, que está no "mesmo barco" que nós, que não irá ganhar nenhum benefício além do nosso, se presta a um papel desses? Fica dando uma de chefe, berra conosco, acha que tem o direito de nos dar ordens e, como se não bastasse, no fim do dia, entra na sala do patrão e nos apunhá-la pelas costas??"


A revolta era total...


Só que a vida não perdoa e não espera muito tempo por mudanças, a funcionária, que se achava padrão, foi se tornando passada, cansativa... e seu chefe foi enjoando daquela situação como já havia sido previsto.


Resolveu que Grampola deveria cumprir somente um papel naquele lugar - o de uma simples funcionária dedicada e, principalmente, calada. Retirou-lhe toda a autoridade antes concedida, e não aceitou mais a ideia de a moça falar de maneira indelicada com seus colegas, pois percebeu que ela havia confundido autoridade com autoritarismo.


A funcionária titubeou, mas não lhe restava escolha. Ou deixava de lado aquele comportamento ou seria uma moça desempregada.


Na verdade, acabou sobrando-lhe a segunda opção, pois apesar das recomendações do chefe, Grampola continuou com sua arrogância, não resistindo em falar mal dos outros. Bateu novamente à porta de seu superior e começou a reclamar de todos, fazendo-se de vítima. Queria mesmo uma brecha para ver o "circo pegar fogo"...


Após Grampola ter, mais uma vez, "relatado seu trabalhoso dia", o chefe ficou profundamente irritado, abriu, então, a gaveta, pegou uma documentação de dispensa e disse à moça que, no dia seguinte, ela poderia acordar mais tarde e fazer fofocas da janela de sua casa, pois naquela instituição, ela não colocaria mais os pés.


Algumas pessoas devem aprender muito com a vida...Não sabem dar valor às oportunidades. Agem como insanas quando algum tipo de poder lhes é oferecido.


A única coisa que acaba-lhes sobrando é a janela de suas casas...
(Bethânia Santos - 09)

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