Tempo mágico.
Escuridão.
Olho ao redor e vejo um vazio.
Na verdade, o vazio não está no exterior...só está refletido nas paredes.
Paredes que parecem chorar.
Uma lágrima escorre. Saudade de você... Saudade que machuca ainda.
Teu doce perfume, cheiro da tua comida, tuas estórias, tuas piadinhas inocentes, tuas mãos enrugadas...
Saudade daqueles dias e daquela casa tão cheia de vida. Casa enfeitada com seus cantos...assobios.
A caixinha de música tinha aquela bailarina...Girava...girava...e ia parando...lentamente.
As cadeiras colocadas com todo cuidado ao lado da cama para que eu não caísse...
E o cheiro do café da manhã... o pão crocante do seu “microondas de ferro”.
Cheiro de terra molhada, flores cheirosas no jardim.
Plantas bem cuidadas...plantinhas tão amadas!
Gatos, pássaros...
Azul...felicidade...
A magia passou...terminou.
Ficou só na lembrança.
Magia não deveria ter fim...
Deveria??
Caí num mundo real. E hoje, só me restou esta saudade doída...
Este vazio...
Esta escuridão.
(Bethânia Santos - Para vovó Alice...)


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