quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Angra.



Viagem longa.
Acho que caminho bem...
Roupas, malas, chinelos.
Cumprimento os desconhecidos com uma intimidade encantadora.
Descubro cada local. Cada canto se apresenta com a mais pura gentileza.
Todos juntos; Eu, separada.
Sempre foi assim.
No meio de muitos - a solitária. A gostosa solidão.
Deixei as malas.
Saí, olhei, sorri.
Lá fora, a brisa, o mar infinito me abraçava.
"Como vai, menina adolescente? O que fazes aqui?"
Eu apenas esbocei um sorriso e sentei-me na areia tão alva.
Músicas do Legião - 'De tarde quero descansar...' ; do Cidade - ' Permita que o amor invada sua casa e coração...'
E eu...
Eu, ondas, areia, canções e a tranquilidade.
O cheirinho da fumaça do churrasco que havia acontecido mais cedo.
Estava em êxtase, bêbada de maresia, hipnotizada de sonhos.
Um saveiro, uma nuvem e a prainha ' do titio'.
Saudade...
Escurece.
"Boa noite, tímidas estrelas!"
Céu e mar se encontram numa escuridão sombria.
Suspiro e despeço-me com um quê de felicidade.


(Bethânia Santos - 1997)

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